Outras Palavras

A partir do início da década de 1990, o rap se popularizou
no Brasil ao refletir a brutalidade das ruas. Os tempos
mudaram e novas gerações encontram liberdade para rimar
sobre o que bem entenderem

Tupac Shakur, célebre rapper estadunidense, disse certa vez que as pessoas não podiam se sentir mais ofendidas com a agressividade de suas rimas do que com a realidade das ruas. Por muitos anos, o rap brasileiro se alinhou a tal posicionamento e tratou das questões sociais com a mesma brutalidade que fazia parte do cotidiano das periferias. O estilo era calcado no gangsta rap, uma vertente que ganhou o mundo com o grupo NWA (Niggaz Wit Attitudes). No Brasil, a temática do gangsta rap marcou as primeiras rimas do Racionais MC’s e foi perpetuada por grupos como Sistema Negro , Câmbio Negro , Facção Central , entre outros. Sinônimo de resistência perante um sistema opressor, a fórmula foi copiada e explorada de diferentes maneiras por todo o país. Com o passar dos anos, no entanto, novas influências musicais provocaram mudanças que alteraram a crueza das batidas e dos versos. Embora o estilo ainda seja forte no Brasil, os rappers que se encontram em evidência no cenário musical trazem letras em tom mais moderado em seus trabalhos.

Para Renan Inquérito , a transformação lírica está ligada à mudança de uma geração para outra na sociedade. “Se muito moleque não gosta do rap tradicional, eles não têm culpa. Na nossa época, você tinha que ler Malcolm X e saber quem era o Marighella para cantar rap. Esses moleques cresceram numa outra época, com internet, funk, YouTube e Facebook. Não adianta ficar brigando e dizendo que eles são ingratos. Cabe a nós, que bebemos dessa fonte, reverberarmos e reproduzirmos”, aponta. A sociologia também segue essa linha de raciocínio. Em 1952, o húngaro Karl Mannheim determinou que uma geração não é definida por meio da proximidade das datas de nascimento das pessoas, mas pela influência que acontecimentos históricos exercem sobre elas. Neste sentido, uma mesma geração pode durar décadas ou até mesmo séculos.

Se a lógica for aplicada ao rap nacional, não é difícil constatar que hoje se encontra em atividade no país uma terceira geração de MCs. A primeira é formada pelos pioneiros que deram início ao movimento hip hop no centro de São Paulo, na década de 1980, enquanto a segunda surgiu a partir do lançamento da música Pânico na Zona Sul (1988), do grupo Racionais MC’s, que revolucionou a forma de se fazer rap no Brasil. “Eu não me lembro de as ideias me chamarem tanto a atenção quanto Pânico na Zona Sul. O Brown falava sobre os problemas que existiam no Capão – e que não eram diferentes dos problemas existentes lá em Diadema, onde eu estava na época. Aquilo acontecia na minha quebrada todo dia e toda hora. Eu falei que queria conhecer aqueles caras. Pânico na Zona Sul foi, para mim, uma convocação para ser mais um elo dessa corrente", conta Dexter . “Foi um momento em que os caras deram uma sacudida nos pretos no Brasil, dizendo que a nossa história é linda e o que lemos nos livros de história é mentira. Começaram a surgir coisas que a escola não ensinava.”

Já a terceira contempla rappers que, após atuarem durante anos na cena underground – fazendo freestyle ou se apresentando em batalhas e rinhas de MCs –, ascenderam na cena musical com uma poesia diferente daquela que se popularizou ao longo da década de 1990 e no início dos anos 2000. Embora tenha ficado conhecido como “novo rap”, o estilo predominante entre nomes como Emicida , Projota , Rashid e Cone Crew Diretoria não é recente: o disco O Lado B Do Hip Hop, lançado em 2001 pelo grupo SP Funk , foi fundamental para moldar a forma de rimar desta terceira geração. “A maioria dos grupos no Brasil era de protesto e seguia a ideologia do Racionais MC’s. Só que sentimos a necessidade de fazer algo diferente. Ouvíamos Redman , Wu-Tang Clan e Lords of Underground , que faziam um estilo em que as batidas eram mais aceleradas e, na forma de rimar, havia muita metáfora. A gente achou que poderia fazer isso bem feito, com a cara do Brasil e com as situações que aconteciam aqui, usando uma linguagem mais divertida, desencanada e ousada”, explica Tio Fresh , um dos integrantes do SP Funk. O pioneirismo contribuiu para que outros rappers contemporâneos ao grupo paulistano também explorassem o seu potencial criativo em cima do freestyle. Entre eles estavam SNJ, Z’África Brasil e Quinto Andar .

Dexter

Sharylaine

Markão (DMN)

“Costumamos dizer que aprendemos a todo o momento, até quando estamos dentro do estúdio. O rap vai mudando conforme a sua necessidade e caras da nova geração e de dez anos atrás resolveram atribuir isso ao seu cotidiano. Se antes éramos muito radicais e só tratávamos de violência, preconceito e questões raciais, hoje conseguimos abordar isso de formas diferentes, às vezes mais irônica, ou com mais conteúdo. É um jeito de falar do nosso estilo de vida para as pessoas”, destaca o rapper Sombra, do grupo SNJ. Os rappers da terceira geração aproveitaram este espaço e o respeito conquistado por seus antecessores para impulsionar a vertente underground entre os jovens que começaram a acompanhar o rap brasileiro somente nos últimos anos.

Segundo Beto Teoria, o rejuvenescimento dos ouvintes foi determinante para esta nova roupagem do rap brasileiro se popularizar pelo país. “O público do Racionais MC’s da década de 1990 hoje tem 35 anos. Eles estão casados, com filhos. Há uma diferença no contexto pessoal e humano de toda a sociedade”, avalia. Mas o novo estilo, obviamente, ainda enfrenta muitas críticas no movimento hip hop. “Muita gente achou que nosso rap não era de favela, que não era o rap que os manos iam considerar. Fomos muito massacrados, mas a gente acreditava na nossa ideia e na nossa criatividade”, recorda Tio Fresh. “O novo incomoda. Todos estão acostumados com um padrão e aí, do nada, surge alguém com algo diferente. Muita gente vai dizer que não é de verdade. Mas hoje eu vejo que os grupos tiram de letra a pressão que nós sofremos naquela época.”

Por não ser unanimidade, a vertente de crítica moderada amplificou a pluralidade de vozes dentro do rap nacional. A liberdade de se trabalhar as letras tambémcontribuiu para que rappers das gerações mais antigas apostassem em novas formas de se fazer música. “O rap ficou mais esperto, mais malandro, e a mensagem não ficou de lado. Nos Estados Unidos, você vê um Busta Rhymes fazendo música de amor, sendo que ele era um cara mais politizado. Eu também estou passando por essa transição nos meus trabalhos mais recentes”, destaca Rhossi, um dos fundadores do Pavilhão 9 e que segue carreira solo com uma proposta totalmente diferente de seu antigo grupo. O próprio Mano Brown, do Racionais MC’s, trabalha num disco voltado para o soul e que terá o “amor” como principal temática.

Rael

Rincon Sapiência

Rodrigo Ogi

Além da liberdade criativa, o novo estilo possibilitou que a mensagem do rap fosse transmitida para além das periferias. “Não é porque o rap é feito no gueto que ele tem que ficar lá. Ele precisa chegar a outros públicos que precisam ouvir aquela mensagem. E essas pessoas começaram a ouvir esses raps quando aconteceu essa mudança”, diz Renan Inquérito. “Essa diversidade do discurso traz a riqueza da parada. Tem quem diga que o rap suavizou e se tornou mais brando. Surgiram, sim, alguns tipos de rap mais brandos, mas o outro rap continua lá. É necessário que exista essa diversidade entre o rap mais pesado e o menos pesado. No fim, é tudo rap”, acrescenta. Os próprios expoentes da terceira geração passaram a influenciar outros jovens que buscam um espaço dentro do cenário musical. Haikaiss, Oriente, Don L, Família Madá, Cartel MC’s e Start são alguns dos nomes que têm dominado as playlists dos jovens ouvintes de rap. Há, no entanto, aqueles que se mantiveram fiéis ao gangsta rap, entre os quais se destacam Nocivo Shomon e Dragões de Komodo. “O leque se abre. Existe uma raiz e temos os frutos. A parada é fazer o que você sente. Se for verdadeiro, as pessoas vão reconhecer”, pontua Tio Fresh.

Grande parte da liberdade temática e lírica do rap brasileiro se deve a uma mudança no pensamento que rondou o gênero durante décadas – o “discurso”, antes soberano, agora divide espaço com a “poesia”. “No rap, por conta de algumas coisas que foram ditas, muita gente colocou no nosso colo um ‘discurso’, sendo que só queríamos falar. Quando mudarmos o conceito de ‘discurso’ para ‘letra’ e ‘poesia’, a coisa fluirá melhor em vários aspectos. A poesia fala do que a pessoa acredita e ela pode ser tão livre quanto quisermos. Talvez essa seja uma evolução”, destaca Kamau .

Ainda assim, os pioneiros só se fizeram ouvir ao longo dos anos 1990 graças à retórica altamente politizada que empregaram. Em uma época de forte repressão policial e desigualdade social, a afronta ao aparato estatal fez o rap ser reconhecido como expressão cultural e, principalmente, como porta-voz das periferias espalhadas pelo país. “Eu recebi uma cartilha, nos anos 1990, que me dizia que o rap é uma música de revolução. Revolução mental das pessoas em que se trabalha o seu ‘eu’ para que elas trabalhem para um mundo melhor, um futuro melhor”, diz Dexter. A importância do rap para as periferias brasileiras, no entanto, transcende as denúncias dos problemas sociais do país. O gênero contribuiu para que os negros passassem a ter orgulho da própria identidade, além de ajudar as pessoas a se reconhecerem como moradores das favelas e quebradas. “Não era um papel do ser humano no Brasil se ver como parte da sociedade e capaz de contribuir para transformá-la. Não existia esse pensamento até por conta do massacre que foi a ditadura. O rap revitalizou o sentido das pessoas pensarem na cidade, no bairro, na quebrada. Ele trouxe a autovalorização para elas”, pontua Sharylaine, pioneira na inclusão das mulheres dentro do gênero musical.

O poder desse discurso fez crescer cada vez mais a atenção das autoridades policiais em torno do rap e a repressão passou a ser frequente nos shows e reuniões das primeiras gerações. “Antigamente se você falava que ouvia rap, muita gente torcia o nariz e te olhava feio”, diz DJ Cia. "Eu era enquadrado toda hora pela polícia só por estar ouvindo rap. Eles também eram loucos para interromper nossos shows, dependendo do texto. Era sempre muito tumulto quando se falava em rap. Já estive em shows do Racionais e vi todo mundo ir para a delegacia”. Em 2014, os “quatro pretos mais perigosos do Brasil” organizaram uma turnê especial para comemorar os 25 anos de existência do grupo, com passagem por diversas cidades brasileiras. “É inacreditável a admiração e o respeito com que as pessoas recebem a música do Racionais. Eu sempre vejo neguinho cantando com a mão no peito. Um dia eu mandei Vida Loka no meu show e todo mundo me acompanhou. Depois eu emendei o hino do Brasil e ninguém sabia continuar a letra. Isso é muito foda. Eles são iluminados”, comenta Slim Rimografia .

Há de se ressaltar, contudo, que o Racionais MC’s “é um fenômeno, e os fenômenos surgem a cada mil anos”, como salienta Markão, do grupo DMN. “Não adianta ficar correndo atrás para fazer igual, porque, em vez de melhorar o movimento, isso nos empobrece”, completa. Em vez de referencial único, tais grupos podem se unir a outras influências e atuar como inspiração para o surgimento de algo completamente novo. “Eu acredito em continuação. Posso dizer que sou uma continuação do que Racionais MC’s, Thaíde , GOG e Athaliba e a Firma faziam. Um Emicida é uma continuação de um Mano Brown, e por aí vai”, destaca Renan Inquérito, que, ao mesmo tempo, defende a abertura do público a novas ideias. “Não dá para se ignorar nada do que foi falado. Tudo que foi dito ao longo da história do rap tem uma puta importância, mas não pode virar dogma nem lei. Não é porque fulano falou tal coisa que ela não vai mudar. A palavra tem um peso, mas não podemos considerar traidores todos aqueles que tentarem mudar algo”, acrescenta.

No sentido de disseminar os novos artistas entre um público que ainda se mostra reticente às novidades no rap, MCs cobram um intercâmbio de experiências no gênero musical. “Falta um artista fortalecer mais o outro aqui. Se nossa referência é baseada no ‘unidos venceremos’, então por que não pensar no ‘unidos cantaremos’? No rap só existe parceria se os dois estão ali para cantar. Isso é uma parte da evolução que ainda não conseguimos alcançar”, ressalta Max B.O . “É importante fazer com que as gerações se cruzem e cheguem no mesmo público juntas. Temos que promover essas conexões para a história ser diferente”, concorda Sharylaine. Para preencher essa lacuna, a internet surge como a grande ferramenta capaz de aproximar rappers de gerações e vertentes distintas, além de dar a oportunidade para que jovens antes alheios ao estilo tomem contato com o movimento e o espalhem entre seu círculo de convivência.

Um ano antes da virada do século, dois amigos estadunidenses iniciavam o que, tempos depois, seria reconhecido como uma revolução na maneira de se ouvir e distribuir música no mundo. Criado por Sean Parker e Shawn Fanning, o Napster foi o primeiro programa de compartilhamento de arquivos em rede capaz de permitir ao usuário fazer o download de uma faixa diretamente de outro computador conectado à plataforma. No verão do ano 2000, 14 mil músicas eram baixadas por minuto e, em apenas dois anos de existência, o serviço já acumulava 26 milhões de usuários. Ao mesmo tempo em que os números cresciam vertiginosamente, as gravadoras iniciavam uma cruzada pelo domínio da indústria fonográfica – e enquanto o rapper e produtor Dr. Dre encabeçava as ações judiciais contra o serviço, Chuck D , do Public Enemy, o considerava uma espécie de “novo rádio”.

Ainda que o Napster tenha sido gradualmente substituído pelo iTunes a partir de 2001, o programa rompeu a cadeia tradicional de produção de música, antes monopolizada pelas grandes gravadoras. No lugar de contratos milionários e prateleiras de lojas de discos, entram em cena o download e o compartilhamento livre. “A turma nova tem um computador e equipamentos de primeira, além de divulgarem seus trabalhos na própria internet – coisa que a gente não tinha. Se o disco não tocasse no rádio, ninguém ia conhecer a sua música na hora do show. Hoje isso não faz mais diferença”, relembra Nelson Triunfo , 60 anos.

Teoria da Cauda Londa, de Cris Anderson

Teoria da Cauda longa - Chris Anderson

Do início da caminhada de Triunfo – na década de 1970 – aos dias de hoje, o contexto do rap mundial passou a conviver com uma ferramenta fundamental para o seu desenvolvimento: a internet. As transformações causadas por ela não foram modestas e afetaram todos os âmbitos da cultura. Num artigo publicado em outubro de 2004, o ex-editor da revista Wired, Chris Anderson, observou o surgimento de novos mercados de nicho – voltados a públicos mais reduzidos e que operam fora do mainstream –, que puderam se desenvolver graças ao advento da internet. Batizada de “Cauda Longa”, a teoria de Anderson constatou que, com o auxílio da tecnologia, expressões culturais segmentadas como o rap foram capazes de encontrar seu espaço de atuação em meio a uma indústria dominada por hits e sobreviver com o auxílio de um público fiel.

Apesar de desigual, o acesso à internet no Brasil já atinge boa parte da população. Segundo pesquisa divulgada pelo Comitê Gestor da Internet (CGI.br) em janeiro de 2013, a quantidade de usuários e a frequência de uso vêm aumentando de forma acelerada: em 2012, o país atingiu a marca de 80,9 milhões de pessoas com 10 anos ou mais que acessam a rede. “Eu lembro que, quando surgiu a internet, muitos amigos meus disseram que era coisa de playboy. Depois de alguns meses, todos eles já usavam MSN, chat, e acessavam todos os sites”, conta Renan Inquérito, 30 anos. Para ele, da mesma forma que deve se manter as raízes bem fincadas no chão, é preciso ligar as antenas: “A internet revolucionou o mundo e revolucionou o rap. Hoje um moleque faz um vídeo com o celular e posta no YouTube na mesma hora.” Além de facilitar a distribuição, que deixou de ser, necessariamente, mediada por outros interessados que não o próprio artista, o ambiente digital também ampliou as possibilidades de produção das faixas. “Lá atrás a gente fazia gravação em fita de rolo. Hoje, o cara pega um sampler na internet, bota voz e manda para a rua”, aponta Sharylaine.

De bases a samples, Tio Fresh afirma que “tudo está disponível na internet”: “Hoje em dia é fácil baixar um plug-in de instrumentos. Você pode ter, no seu computador, o kit que o Pharell ou que o Dr. Dre usaram em suas músicas”. Toda essa evolução também pode se converter em liberdade criativa para um gênero que, desde o seu surgimento no país, esteve sob a influência estadunidense. Para Rincon Sapiência , esta é uma das principais contribuições da internet para o rap. “Antes a gente só recebia tendência, mas hoje temos a autonomia de ditar a regra – igual aos moleques que inventaram o Passinho do Romano, gravaram um vídeo e botaram o baile todo para dançar”, diz. “Mas também é geracional, porque nós temos mais acesso a essas ferramentas de produção”. Por outro lado, a ânsia por colocar um novo som na rede, mesmo que ainda inacabado, poderia prejudicar nomes que estão chegando. “Hoje eu vejo muita gente falar ‘essa aqui é minha primeira música, não está boa ainda, mas escuta aí que é de coração’. A minha primeira música de coração teve pouca gente que ouviu”, diz Kamau. “E, quando ela foi ouvida, eu tinha certeza de que era boa. É preciso ter certeza do que se está fazendo, e usar a internet para mostrar essa certeza para outras pessoas”.

No espaço de interação das redes sociais, veteranos e novatos encontram um canal direto de expressão, tanto para divulgar suas músicas quanto para estreitar relações com o público. “A internet me proporcionou ficar muito mais próximo dos meus fãs, e entender se realmente estou no caminho certo – se algo que disse numa entrevista foi mal interpretado, por exemplo”, afirma Dexter. “Recebo várias mensagens de parceiros que me dizem que a minha música fez a diferença na vida deles”. Após o fim da MTV, principalmente, Rincon destaca que a única forma que encontrou para veicular seus últimos videoclipes foram seus canais em redes como o YouTube e o Facebook: “A internet hoje é, basicamente, tudo o que a gente tem”.

À medida que tais ações – sejam elas promovidas por assessorias de imprensa ou pelos próprios rappers – ganham peso e se espalham pelo ambiente ciberespaço, outros ouvidos são naturalmente alcançados. “A tecnologia foi fundamental para o rap, pois fez com que outras pessoas conhecessem a cena underground e as batalhas de freestyle. Antes da internet, muita gente que podia ter se identificado com elas não teve a chance de conhecê-las”, acredita Slim Rimografia. “Com os vídeos no YouTube e a nossa presença nas redes sociais, o rap ganhou outras pessoas para ouvir. Elas perceberam que existem várias formas de rimar e deixaram de olhar só para a cena do Racionais e da 105 FM”. Para o videorrepórter Rodney Suguita , a internet foi a ferramenta que permitiu ao rap ser a “conexão entre o pobre e o rico”. “O rapper lança um disco e coloca para baixar. Enquanto ouve um rap, o cara que mora numa cobertura do Morumbi está vendo Paraisópolis lá embaixo. Aí ele pensa o que é a vida na maior favela do Brasil. Esse som sai da favela. É o rap quem faz essa ponte”.